quarta-feira, 25 de setembro de 2013


Bactérias do gênero Staphylococcus, como a Staphylococcus aureus (foto), estão entre os microrganismos  encontrados na pele humana pelos pesquisadores da Universidade do Colorado (foto: Eric Erbe e Christopher Pooley/USDA).

Cada indivíduo possui em suas mãos um conjunto único de bactérias, que pode ficar por até duas semanas nas superfícies tocadas por ele. Um estudo indica que esses microrganismos podem ajudar peritos forenses na identificação de suspeitos de crimes.
Com a ajuda da microbiologia, peritos forenses podem em breve ganhar uma nova ferramenta para ajudar a identificar suspeitos de crimes. Um estudo [...] mostrou que as bactérias que vivem na pele humana são “personalizadas”, ou seja, cada indivíduo possui uma composição única de comunidades desses microrganismos. Como essas bactérias podem persistir inalteradas nos objetos manuseados ao longo de dias, é possível identificar indivíduos a partir da “impressão microbiana” exclusiva deixada por eles nesses objetos. [...]
A análise de teclados e mouses de computadores mostrou que resíduos bacterianos deixados na superfície dos equipamentos eram compatíveis com os microrganismos encontrados na ponta dos dedos de diferentes usuários. O grau de compatibilidade era consideravelmente maior do que em relação a amostras recolhidas da pele de pessoas que não haviam tocado os objetos.
“Mesmo gêmeos idênticos têm comunidades microbianas diferentes, o que sugere que nosso conjunto de bactérias pode ser mais pessoalmente identificável que o genoma humano”, concluiu a equipe de Noah Fierer, pesquisador da Universidade de Colorado em  Boulder (EUA). [...]
Material genético similar
Na primeira parte da pesquisa, foram comparadas amostras de bactérias recolhidas em três teclados de computador e nos dedos dos respectivos donos. Após analisar o DNA bacteriano, o grupo concluiu que o material genético dos dois tipos de amostras era similar. Quando a comparação foi feita com outros 15 teclados nunca tocados pelos três voluntários, não houve o mesmo grau de correspondência.
“Juntos, esses resultados demonstraram que o DNA bacteriano pode ser recuperado de superfícies relativamente pequenas, que a composição das comunidades de bactérias associadas aos teclados é distinta nos três equipamentos e que os indivíduos deixam ‘impressões digitais’ bacterianas únicas em seus teclados”, afirmam os pesquisadores [...].
Na última parte pesquisa, os cientistas testaram a eficácia da técnica para a identificação de pessoas. A equipe coletou amostras de nove mouses de computadores pessoais que não haviam sido tocados por mais de 12 horas. Também foi coletado material bacteriano das palmas das mãos dos donos dos computadores.
A compatibilidade entre o dois tipos de amostras foi então comprovada a 270 amostras de bactérias coletadas das mãos de pessoas que nunca haviam utilizado os mouses. Nos nove casos, as comunidades bacterianas encontradas em cada objeto foram muito mais similares àquelas da pele dos usuários.
A expectativa é de que esses métodos de comparação possam ser usados como alternativas à análise de DNA e às impressões digitais em investigações forenses. [...]
Fonte: MUNIZ, Camilla."Impressões bacterianas". Ciência Hoje On-line, 17 mar.2010. Disponível em:<http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2010/03/impressoes-bacterianas>.            

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